terça-feira, 24 de setembro de 2013
Amigos em Casa
Receber amigos em nossa casa é sempre muito bom. Em se tratando de visitas tão ilustres quanto o são o prefeito de Barretos/SP, o fisioterapeuta Dr. Guilherme Henrique de Ávila e sua esposa, Andreza Junqueira Franco Marreli, torna-se uma honra. Voltem sempre, a casa é de vocês.
segunda-feira, 2 de setembro de 2013
Encontro com ministro Eros Grau
Foi um imenso prazer o encontro com o ex-ministro do Supremo Tribunal Federal, o grande jurista Eros Roberto Grau, no aeroporto de Cumbica, por ocasião de voo a Manaus. Ele para ministrar palestra e eu, curso de pós-graduação, em mais um final-de-semana de trabalho gratificante. Simpático e de uma simplicidade cativante, como o seu próprio semblante na foto não me deixa mentir, brindou-me com conversa agradabilíssima sobre direito, política e, é claro, fisioterapia. Imberbes não participaram da confraria.
terça-feira, 20 de agosto de 2013
Entrevista ao Programa "O Repórter Sabe Tudo": Fisioterapia Domiciliar em Barretos/SP
Para ouvirem minha entrevista à rádio Independente, do grupo Monteiro de Barros, cliquem no link a seguir:
quinta-feira, 30 de maio de 2013
Amor à Vida: "...e o piso salarial do Fisioterapeuta, Ó!"
Quando me contaram sobre determinada cena do sétimo capítulo da nova novela das dez "Amor à Vida", da Rede Globo, tive a curiosidade de procurá-la na internet. Ao ar em 27 de maio de 2013, a certa altura a personagem interpretada pelo ator Rodrigo Andrade, o recém-formado fisioterapeuta Daniel, repete a velha mímica eternizada por Chico Anísio aos finais dos episódios da memorável "Escolinha do Professor Raimundo", ao se referir ao pífio, indigno, insalubre, risível e vermiforme piso salarial desta sagrada profissão.
Confesso que, de ímpeto, tentei racionalizar algo que argumentasse razoavelmente contra essa triste realidade que Walcyr Carrasco escancarou nas telas de todo o Brasil. "Distorção pejorativa da realidade?", "Descrição aviltante da profissão?", foram algumas das perguntas que imediatamente me ocorreram. Entretanto, analisando o contexto da filmagem e deixando-se de lado as suscetibilidades classistas, percebe-se que o efeito da mensagem, independentemente das intenções do autor, - que a mim não cabe auscultar - soou muito mais como denúncia social do que qualquer outra coisa. A fala de Susana Vieira que se sucede, "Começo de carreira é começo de carreira, viu!?!", contemporizando com uma condescendência eufemista e comiserativa dispensável, talvez denote a tentativa da emissora em antever e arrefecer ulteriores retaliações corporativistas.
O fato é que, enquanto contra-prestações medíocres continuarem a vilipendiar trabalhadores de nível superior como o são fisioterapeutas, clínicos de primeiro contato, autônomos de seu exercício e que independem de prescrições de outros para aplicação de suas técnicas, a sociedade continuará a receber tratamentos ao nível do preço que involuntariamente paga, ou seja, pagando barato, leva o barato.
Não se conjecture, doravante, que o número da oferta determina os baixos salários pagos pelo convênio e imitados pelo setor público, com concursos que oferecem simbólicos e escravizantes R$ 1.500,00 por 30 horas de trabalho semanais. Com números atualizados de abril de 2013, o número de fisioterapeutas inscritos no Conselho Federal de Fisioterapia é de pouco mais de 176 mil profissionais em todo o território nacional, enquanto o de médicos inscritos no Conselho Federal de Medicina, segundo dados de maio deste ano, supera a casa dos 370 mil. Se o mercado seguisse essa lógica, ganharíamos o dobro dos médicos e não 5 ou 6 vezes menos, como se verifica na prática. Alguns editais até postulam a isonomia entre profissionais, como deveria ser, uma vez que as atribuições específicas na área da saúde não resguardam distinções de valor em relação às outras, como o "voltar a andar" ou o "não mais usar fraldas" que a fisioterapia amiúde proporciona não são, jamais, menos importantes que a mitigação da dor que a medicina alopática usualmente provê. Todavia, esses mesmos editais garantem a manutenção da desigualdade ao estabelecer gratificações que excedem o próprio valor do provento. E estamos falando do médico generalista, recém-graduado, em comparação a fisioterapeutas que se dedicam a cursar especializações, mestrado e doutorado. E, note-se, o profissional médico não está super-remunerado, mas sim o fisioterapeuta está - perdoem-me o neologismo - "sub-hipo-infra-valorizado"!
Dizer também que nós fisioterapeutas somos uma classe desunida traduz apenas o pensamento lacônico e comodista daqueles que preferem jogar a sujeira para debaixo do tapete, enquanto as leis trabalhistas são colocadas de lado, o direito à insalubridade é desrespeitado e a autonomia profissional é corrompida. E como toda empresa ou repartição pública pratica o errado, então o errado deve ser certo, não é? Ou pelo menos aceito e não questionado, como geralmente ocorre. A quem não cabe lutar contra impalpáveis e robustas pessoas jurídicas são pais e mães de família que têm de aceitar, goela abaixo, salários cujos valores não precisariam estar formados e pós-graduados para receber, sendo muitas vezes menores que aqueles oferecidos em cargos com a mesma carga horária semanal e tendo como pré-requisito tão somente o ensino médio completo.
Por sua vez, as autarquias federal e estaduais (sistema COFFITO / CREFITOS) sabem da situação salarial rídicula que são a regra nos editais em território nacional, postulam referenciais mínimos e um código de ética que pune o profissional que pratique o chamado preço ínfimo, mas nada fazem contra as administrações públicas e organizacionais que pagam ao fisioterapeuta salários menores que a pessoal de nível técnico em ambiente hospitalar e ambulatorial. Argumentam que esse tipo de atuação cabe aos sindicatos, omissos ao fato de que salários aviltantes sempre redundam em má qualidade do serviço prestado ao usuário, por obrigar o profissional a se desdobrar em dois ou três empregos ou a aumentar a quantidade de atendimentos diários, sendo ele próprio acometido pela síndrome do burnout, o paciente prejudicado por sessões reduzidas em tempo ou atendido concomitantemente com outros doentes. Enquanto chafurdam na discussão, o Conselho Regional de Odontologia de São Paulo já conquistou a isonomia para os dentistas em relação aos salários dos médicos na prefeitura de São Paulo. Eles, dentistas, que são mais de 250 mil profissionais em todo o Brasil.
No caso da fisioterapia, a solução do problema, em meu entender, passa por três principais vertentes, quer sejam (1) o reconhecimento social traduzido em exigência legislativa, como o Projeto de Lei 5979, de autoria do deputado federal Mauro Nazif, mofando com valor desatualizado de R$ 4.650,00 desde 2009 na câmara, (2) ação intempestiva dos conselhos sobre empresas, prefeituras, Estados e União que publiquem editais com salários ofertados ao fisioterapeuta não isonômicos aos praticados para demais profissionais da saúde e (3) o voto consciente dos profissionais em representantes de conselhos, legisladores e chefes de executivo que realmente lutem por sua valorização salarial.
Resido e trabalho pela prefeitura, em Barretos/SP. Votei e apoiei amplamente um prefeito fisioterapeuta que ganhou as eleições por aqui, Dr. Guilherme Henrique de Ávila. Dele já cobrei a isonomia salarial e por enquanto espero confiante pela resposta prática, consciente das muitas variáveis existentes no jogo político. O que não podemos é, pressupondo desunião, continuarmos não votando em representantes que são nossos pares em profissão, conhecem nosso dia-a-dia e vivenciam nossas reivindicações. Procedendo dessa forma, o salário do fisioterapeuta continuará assim ó, com o dedo indicador cada vez mais próximo do polegar.
Confesso que, de ímpeto, tentei racionalizar algo que argumentasse razoavelmente contra essa triste realidade que Walcyr Carrasco escancarou nas telas de todo o Brasil. "Distorção pejorativa da realidade?", "Descrição aviltante da profissão?", foram algumas das perguntas que imediatamente me ocorreram. Entretanto, analisando o contexto da filmagem e deixando-se de lado as suscetibilidades classistas, percebe-se que o efeito da mensagem, independentemente das intenções do autor, - que a mim não cabe auscultar - soou muito mais como denúncia social do que qualquer outra coisa. A fala de Susana Vieira que se sucede, "Começo de carreira é começo de carreira, viu!?!", contemporizando com uma condescendência eufemista e comiserativa dispensável, talvez denote a tentativa da emissora em antever e arrefecer ulteriores retaliações corporativistas.
O fato é que, enquanto contra-prestações medíocres continuarem a vilipendiar trabalhadores de nível superior como o são fisioterapeutas, clínicos de primeiro contato, autônomos de seu exercício e que independem de prescrições de outros para aplicação de suas técnicas, a sociedade continuará a receber tratamentos ao nível do preço que involuntariamente paga, ou seja, pagando barato, leva o barato.
Não se conjecture, doravante, que o número da oferta determina os baixos salários pagos pelo convênio e imitados pelo setor público, com concursos que oferecem simbólicos e escravizantes R$ 1.500,00 por 30 horas de trabalho semanais. Com números atualizados de abril de 2013, o número de fisioterapeutas inscritos no Conselho Federal de Fisioterapia é de pouco mais de 176 mil profissionais em todo o território nacional, enquanto o de médicos inscritos no Conselho Federal de Medicina, segundo dados de maio deste ano, supera a casa dos 370 mil. Se o mercado seguisse essa lógica, ganharíamos o dobro dos médicos e não 5 ou 6 vezes menos, como se verifica na prática. Alguns editais até postulam a isonomia entre profissionais, como deveria ser, uma vez que as atribuições específicas na área da saúde não resguardam distinções de valor em relação às outras, como o "voltar a andar" ou o "não mais usar fraldas" que a fisioterapia amiúde proporciona não são, jamais, menos importantes que a mitigação da dor que a medicina alopática usualmente provê. Todavia, esses mesmos editais garantem a manutenção da desigualdade ao estabelecer gratificações que excedem o próprio valor do provento. E estamos falando do médico generalista, recém-graduado, em comparação a fisioterapeutas que se dedicam a cursar especializações, mestrado e doutorado. E, note-se, o profissional médico não está super-remunerado, mas sim o fisioterapeuta está - perdoem-me o neologismo - "sub-hipo-infra-valorizado"!
Dizer também que nós fisioterapeutas somos uma classe desunida traduz apenas o pensamento lacônico e comodista daqueles que preferem jogar a sujeira para debaixo do tapete, enquanto as leis trabalhistas são colocadas de lado, o direito à insalubridade é desrespeitado e a autonomia profissional é corrompida. E como toda empresa ou repartição pública pratica o errado, então o errado deve ser certo, não é? Ou pelo menos aceito e não questionado, como geralmente ocorre. A quem não cabe lutar contra impalpáveis e robustas pessoas jurídicas são pais e mães de família que têm de aceitar, goela abaixo, salários cujos valores não precisariam estar formados e pós-graduados para receber, sendo muitas vezes menores que aqueles oferecidos em cargos com a mesma carga horária semanal e tendo como pré-requisito tão somente o ensino médio completo.
Por sua vez, as autarquias federal e estaduais (sistema COFFITO / CREFITOS) sabem da situação salarial rídicula que são a regra nos editais em território nacional, postulam referenciais mínimos e um código de ética que pune o profissional que pratique o chamado preço ínfimo, mas nada fazem contra as administrações públicas e organizacionais que pagam ao fisioterapeuta salários menores que a pessoal de nível técnico em ambiente hospitalar e ambulatorial. Argumentam que esse tipo de atuação cabe aos sindicatos, omissos ao fato de que salários aviltantes sempre redundam em má qualidade do serviço prestado ao usuário, por obrigar o profissional a se desdobrar em dois ou três empregos ou a aumentar a quantidade de atendimentos diários, sendo ele próprio acometido pela síndrome do burnout, o paciente prejudicado por sessões reduzidas em tempo ou atendido concomitantemente com outros doentes. Enquanto chafurdam na discussão, o Conselho Regional de Odontologia de São Paulo já conquistou a isonomia para os dentistas em relação aos salários dos médicos na prefeitura de São Paulo. Eles, dentistas, que são mais de 250 mil profissionais em todo o Brasil.
No caso da fisioterapia, a solução do problema, em meu entender, passa por três principais vertentes, quer sejam (1) o reconhecimento social traduzido em exigência legislativa, como o Projeto de Lei 5979, de autoria do deputado federal Mauro Nazif, mofando com valor desatualizado de R$ 4.650,00 desde 2009 na câmara, (2) ação intempestiva dos conselhos sobre empresas, prefeituras, Estados e União que publiquem editais com salários ofertados ao fisioterapeuta não isonômicos aos praticados para demais profissionais da saúde e (3) o voto consciente dos profissionais em representantes de conselhos, legisladores e chefes de executivo que realmente lutem por sua valorização salarial.
Resido e trabalho pela prefeitura, em Barretos/SP. Votei e apoiei amplamente um prefeito fisioterapeuta que ganhou as eleições por aqui, Dr. Guilherme Henrique de Ávila. Dele já cobrei a isonomia salarial e por enquanto espero confiante pela resposta prática, consciente das muitas variáveis existentes no jogo político. O que não podemos é, pressupondo desunião, continuarmos não votando em representantes que são nossos pares em profissão, conhecem nosso dia-a-dia e vivenciam nossas reivindicações. Procedendo dessa forma, o salário do fisioterapeuta continuará assim ó, com o dedo indicador cada vez mais próximo do polegar.
quinta-feira, 28 de julho de 2011
sábado, 27 de novembro de 2010
Terapias de Drenagem Linfática aplicadas à Cirurgia Plástica
A linfoterapia de drenagem, atualmente mais conhecida por sua modalidade manual, é tão importante quanto banalizada, seja pelo público que, de maneira imprudente submete a própria saúde às mãos trêmulas de pessoas que sequer possuem conhecimentos mais básicos acerca da fisiologia, anatomia e contra-indicações das técnicas que amiúde aplicam, seja por alguns colegas profissionais que subestimam a precípua necessidade da aquisição de conhecimentos mais aprofundados nessa área. A avaliação criteriosa de resultados e dos sinais e sintomas que se apresentam desde a primeira entrevista do paciente com o fisioterapeuta, até seu acompanhamento crônico ou eventual alta, torna-se fundamental à demonstração racional de objetivos alcançados e estabelecimento futuro de metas realísticas.
Em se tratando de procedimentos cirúrgicos que alteram a forma e a topografia anatômica dos tecidos corporais humanos, é na seara da cirurgia plástica — reconstrutiva e estética — que essa terapia, vulgarmente conhecida por “drenagem linfática”, encontra uma de suas maiores e mais bem sucedidas aplicabilidades. Também é fato que a realidade dos grandes serviços nessa área não têm a rotina de permitir a intervenção fisioterapêutica pré-operatória, nem tampouco a drenagem no pós-operatório imediato, justamente os momentos em que sua indicação é absoluta e seu grau de resolutividade, inestimavelmente superior. Remanesce no ideário de alguns cirurgiões plásticos o equivocado aforismo da não-intervenção em cicatrizes imaturas, notadamente naquelas resultantes de grandes rebatimentos teciduais, com extenso descolamento de retalhos. Nessa cultura historicamente arraigada, o fisioterapeuta teve sua grande parcela de culpa, ao minorizar a amplidão dos conhecimentos das terapias de drenagem, reduzindo-os à lacônica sigla “DLM” (drenagem linfática manual). Ora, qual cirurgião em sã consciência, permitiria a manipulação, com pressões que podem variar de 32 a 44 mmHg (bem acima das pressões capilares, portanto), por exemplo, de um abdome recém operado com uma dermolipectomia de descolamento total e plicatura muscular? A resposta é desanimadora quando não se pensa nos vários recursos adjuvantes cinesiológicos, pressoterapêuticos, eletro e endermoterapêuticos, e de contenção física que o fisioterapeuta pode lançar mão para o alcance do mesmo efeito, quer por mecanismos fisiológicos intrínsecos ou extrínsecos de propulsão do fluxo linfático.
A linfoterapia de drenagem é única técnica que tem sua indicação bem definida em todos os 3 momentos, quer sejam pré, trans e pós-operatório. Antes da cirurgia, ajuda a prevenir acúmulos linfáticos que agiriam como fator dificultador à adequada apresentação das drogas anestésicas aos neuro-receptores, bem como ao necessário catabolismo de resíduos celulares. Durante a cirurgia, o uso de pressoterapia seqüencial intermitente, mantém fluxos linfático e venoso ativos, prevenindo a formação de trombos e edemas no PO imediato. E no pós-operatório, impede a desastrosa síndrome compartimental, que por sua vez culminaria em
morbidades não menos deletérias como a deiscência, a formação de espaços mortos entre as suturas, epidermólise, sero-hematomas e necroses.
É somente com o domínio prático e das repercussões fisiológicas das mais variadas técnicas de linfoterapias de drenagem, bem como dos métodos de avaliação envolvidos, que o profissional fisioterapeuta assumirá seu devido papel de tomador de decisões, ao invés de mero cumpridor, na equipe multidisciplinar de um serviço ambulatorial ou hospitalar de cirurgia plástica. É possível e uma realidade atualmente bastante rentável para alguns fisioterapeutas que já fazem notar seu diferencial de resultado estético nos casos que atende em sinergia com o cirurgião.

O curso que tenho ministrado em várias capitais do país, com duração de 20 h, tem o objetivo de abordar, com ênfase na prática, as diversas modalidades de linfoterapia de drenagem, as bases anatômicas e fisiológicas detalhadas do sistema linfático e suas principais funções imunológicas e mantenedoras da homeostase orgânica, estabelecer o reconhecimento das principais vias vasculares dos extensos plexos linfáticos superficial e profundo, bem como suas anastomoses e áreas ganglionares de concentração linfonodal, enunciar os principais mecanismos fisiopatológicos envolvidos na etiologia do linfedema, arraigar conhecimentos específicos e padronizados das mais diversas modalidades de linfoterapia de drenagem com resolutividade respaldada pela literatura científica atual e, por fim, dotar o atualizando de ferramentas objetivas de avaliação para o controle pré- e pós-terapia, assim como para o acompanhamento de eventuais evoluções de estados mórbidos que estejam sob sua atenção.

As situações cirúrgicas serão sempre o foco das problematizações clínicas, com simulações de casos e aplicabilidade da drenagem linfática específica, adequada ao tempo (pré, trans e pós-operatório), existência de complicações e fatores de risco.
Para contratar o curso, saiba mais: (62) 9997-2926; rogerio.physio@gmail.com.
Em se tratando de procedimentos cirúrgicos que alteram a forma e a topografia anatômica dos tecidos corporais humanos, é na seara da cirurgia plástica — reconstrutiva e estética — que essa terapia, vulgarmente conhecida por “drenagem linfática”, encontra uma de suas maiores e mais bem sucedidas aplicabilidades. Também é fato que a realidade dos grandes serviços nessa área não têm a rotina de permitir a intervenção fisioterapêutica pré-operatória, nem tampouco a drenagem no pós-operatório imediato, justamente os momentos em que sua indicação é absoluta e seu grau de resolutividade, inestimavelmente superior. Remanesce no ideário de alguns cirurgiões plásticos o equivocado aforismo da não-intervenção em cicatrizes imaturas, notadamente naquelas resultantes de grandes rebatimentos teciduais, com extenso descolamento de retalhos. Nessa cultura historicamente arraigada, o fisioterapeuta teve sua grande parcela de culpa, ao minorizar a amplidão dos conhecimentos das terapias de drenagem, reduzindo-os à lacônica sigla “DLM” (drenagem linfática manual). Ora, qual cirurgião em sã consciência, permitiria a manipulação, com pressões que podem variar de 32 a 44 mmHg (bem acima das pressões capilares, portanto), por exemplo, de um abdome recém operado com uma dermolipectomia de descolamento total e plicatura muscular? A resposta é desanimadora quando não se pensa nos vários recursos adjuvantes cinesiológicos, pressoterapêuticos, eletro e endermoterapêuticos, e de contenção física que o fisioterapeuta pode lançar mão para o alcance do mesmo efeito, quer por mecanismos fisiológicos intrínsecos ou extrínsecos de propulsão do fluxo linfático.
A linfoterapia de drenagem é única técnica que tem sua indicação bem definida em todos os 3 momentos, quer sejam pré, trans e pós-operatório. Antes da cirurgia, ajuda a prevenir acúmulos linfáticos que agiriam como fator dificultador à adequada apresentação das drogas anestésicas aos neuro-receptores, bem como ao necessário catabolismo de resíduos celulares. Durante a cirurgia, o uso de pressoterapia seqüencial intermitente, mantém fluxos linfático e venoso ativos, prevenindo a formação de trombos e edemas no PO imediato. E no pós-operatório, impede a desastrosa síndrome compartimental, que por sua vez culminaria em
morbidades não menos deletérias como a deiscência, a formação de espaços mortos entre as suturas, epidermólise, sero-hematomas e necroses.
É somente com o domínio prático e das repercussões fisiológicas das mais variadas técnicas de linfoterapias de drenagem, bem como dos métodos de avaliação envolvidos, que o profissional fisioterapeuta assumirá seu devido papel de tomador de decisões, ao invés de mero cumpridor, na equipe multidisciplinar de um serviço ambulatorial ou hospitalar de cirurgia plástica. É possível e uma realidade atualmente bastante rentável para alguns fisioterapeutas que já fazem notar seu diferencial de resultado estético nos casos que atende em sinergia com o cirurgião.

O curso que tenho ministrado em várias capitais do país, com duração de 20 h, tem o objetivo de abordar, com ênfase na prática, as diversas modalidades de linfoterapia de drenagem, as bases anatômicas e fisiológicas detalhadas do sistema linfático e suas principais funções imunológicas e mantenedoras da homeostase orgânica, estabelecer o reconhecimento das principais vias vasculares dos extensos plexos linfáticos superficial e profundo, bem como suas anastomoses e áreas ganglionares de concentração linfonodal, enunciar os principais mecanismos fisiopatológicos envolvidos na etiologia do linfedema, arraigar conhecimentos específicos e padronizados das mais diversas modalidades de linfoterapia de drenagem com resolutividade respaldada pela literatura científica atual e, por fim, dotar o atualizando de ferramentas objetivas de avaliação para o controle pré- e pós-terapia, assim como para o acompanhamento de eventuais evoluções de estados mórbidos que estejam sob sua atenção.

As situações cirúrgicas serão sempre o foco das problematizações clínicas, com simulações de casos e aplicabilidade da drenagem linfática específica, adequada ao tempo (pré, trans e pós-operatório), existência de complicações e fatores de risco.
Para contratar o curso, saiba mais: (62) 9997-2926; rogerio.physio@gmail.com.
sexta-feira, 1 de maio de 2009
Gripe Suína ou Gripe A: como o Fisioterapeuta pode ajudar?
Atente bem para estes sintomas: febre alta, dores nas juntas (artralgia), dores musculares (mialgia), coriza, falta de apetite, tosse, garganta seca e moleza (letargia). São os sinalizadores clínicos da gripe suína. E não se assuste se forem velhos conhecidos seus, pois muito provavelmente, em algum momento de sua vida, você já esteve ou estará gripado. Isso mesmo: os sintomas da gripe suína e da gripe comum são exatamente idênticos.
O grande problema é que, excetuando-se o tempo de duração ou persistência sintomática, que é maior na primeira, o diagnóstico só poderá ser diferenciado com exames laboratoriais específicos. Até mesmo na hora da seleção daqueles pacientes que serão ou não internados, leva-se em conta, nesse primeiro momento, o critério epidemiológico, ou seja, se os doentes são ou não provenientes de áreas endêmicas, onde casos já tenham sido efetivamente confirmados.
A variante A/H1N1 do vírus influenza tem levado a Organização Mundial da Saúde (OMS) a designar a doença como "gripe A" ao invés de "gripe suína", no afã de se tentar retirar a desnecessária atmosfera pejorativa que se criou em torno do consumo da carne de porcos.
Mas, se os sintomas são exatamente os mesmos, por que então devemos nos preocupar com um eventual contágio? A resposta remete ao início da estória: o maior tempo de duração sintomática, que por sua vez é devido ao não reconhecimento imediato da nova variante viral pelo nosso sistema de defesa, faz com que estejamos mais expostos às complicações características de um estado gripal prolongado, tais como pneumonias, otites, sinusites, rinites e bronquites. Esses desdobramentos com afecções respiratórias, notadamente a pneumonia, são os que podem levar o portador da gripe A ao óbito, numa frequência até então reportada como sendo de 6% no México, contra 0,5% de mortalidade da gripe comum.
Os quadros pneumônicos são causados por bactérias que colonizam as vias respiratórias hiper-congestionadas por catarro (muco) e podem levar às complicações ditas para-pneumônicas, como acúmulo de líquidos entre as membranas que revestem os pulmões (derrame pleural) ou a perda da pressão negativa que sustenta os pulmões na cavidade torácica (pneumotórax). Tais complicações podem ocasionar a falência súbita do sistema respiratório, cujas consequências são a parada cárdio-respiratória e, eventualmente, a morte.
O excesso de acúmulo ou déficit de eliminação catarral são os fatores preponderantes para o desenvolvimento das pneumonias. Por isso é que indivíduos dos extremos etários como crianças e idosos, portadores de AIDS, doenças cardíacas e neuro-degenerativas progressivas, câncer, diabetes, asma, problemas pulmonares ou aqueles imunodeprimidos estão mais susceptíveis a um pior prognóstico.
O fisioterapeuta domiciliar é disposto de arsenal terapêutico e conhecimento de técnicas que auxiliam enormemente na prevenção e tratamento dos desdobramentos acima descritos, evitando que um estado gripal persistente evolua para uma pneumonia. Para tanto, lança mão de manobras de higiene brônquica e reexpansão pulmonar (FIGURA 1), exercícios de padrão respiratório ou aparelhos de vibração intermitente intra-torácica (FIGURA 2) ou em casos mais extremos, do procedimento invasivo de aspiração traqueal (FIGURA 3), ajudando na eliminação facilitada das secreções pulmonares e traqueo-brônquicas que servem de substrato para a proliferação bacteriana.

FIGURA 1 - Manobra de vibrocompressão torácica associada à terapia de expansão pulmonar (© 2004 Hospital Monte Sinai).

FIGURA 2 - Utilização de aparelho de oscilação intra-torácica de alta frequência (© Fisioterapia Respiratória - UNESP).

FIGURA 3 - Aspiração traqueal (© Fisioterapia Respiratória - UNESP).
Tente não rir se seu fisioterapeuta domiciliar estiver parecendo o "pato Donald" quando lhe atender. Ele estará paramentado com um tipo de máscara de proteção nasal e oral chamada N95 (FIGURA 4), composta de 7 camadas que garantem proteção efetiva em situações de risco contra a SARS (Síndrome Respiratória Aguda Grave ou Pneumonia Asiática), esporos da tuberculose ou outros aerodispersóides, como também é o caso do vírus da gripe suína. Esse protetor facial é vulgarmente conhecido como máscara "bico-de-pato", mas pode encontrar-se confeccionada em outros formatos, sendo suficiente apenas que tenha a certificação N95. É bem mais cara que a convencional máscara cirúrgica. Enquanto essa última sai pelo preço de 50 centavos cada, aquela chega a custar R$ 10,00 a unidade. Todavia, as bicos-de-pato são as únicas que proveem segurança real contra a contaminação via gotículas respiratórias dispersas no ar, ao contrário das cirúrgicas que, para a gripe suína, só servem para os mais incautos e afobados aparecerem na TV e debalde acreditarem que assim possam reter vírus A/H1N1, esses microorganismos que medem ínfimos 80 a 120 nanômetros (milionésimos de milímetro) de diâmetro. Se você for suspeito ou convive com pessoas sob suspeição de terem contraído o vírus, portanto, vale a pena "pagar esse mico". Ou melhor, "pato".

FIGURA 4 - Máscara N95, para proteção contra microorganismos aerodispersóides (© DIBRAX, Comercial Ltda.).
Trocadilhos à parte, é claro que tais medidas não eximem o suspeito portador de um estado gripal persistente (acima de 48h) de consultar um infectologista, para que se estabeleçam condutas medicamentosas visando ao controle amplo dos sintomas, eventualmente com a utilização de antibioticoterapia específica para os casos que cursam com pneumonia. Porém, em tempos como o que vivemos, quando a humanidade inexoravelmente terá de se adaptar a essa nova variante viral, a prevenção de complicações poderá significar a diferença entre a recuperação ou não dos novos portadores que inevitavelmente surgirão.
O grande problema é que, excetuando-se o tempo de duração ou persistência sintomática, que é maior na primeira, o diagnóstico só poderá ser diferenciado com exames laboratoriais específicos. Até mesmo na hora da seleção daqueles pacientes que serão ou não internados, leva-se em conta, nesse primeiro momento, o critério epidemiológico, ou seja, se os doentes são ou não provenientes de áreas endêmicas, onde casos já tenham sido efetivamente confirmados.
A variante A/H1N1 do vírus influenza tem levado a Organização Mundial da Saúde (OMS) a designar a doença como "gripe A" ao invés de "gripe suína", no afã de se tentar retirar a desnecessária atmosfera pejorativa que se criou em torno do consumo da carne de porcos.
Mas, se os sintomas são exatamente os mesmos, por que então devemos nos preocupar com um eventual contágio? A resposta remete ao início da estória: o maior tempo de duração sintomática, que por sua vez é devido ao não reconhecimento imediato da nova variante viral pelo nosso sistema de defesa, faz com que estejamos mais expostos às complicações características de um estado gripal prolongado, tais como pneumonias, otites, sinusites, rinites e bronquites. Esses desdobramentos com afecções respiratórias, notadamente a pneumonia, são os que podem levar o portador da gripe A ao óbito, numa frequência até então reportada como sendo de 6% no México, contra 0,5% de mortalidade da gripe comum.
Os quadros pneumônicos são causados por bactérias que colonizam as vias respiratórias hiper-congestionadas por catarro (muco) e podem levar às complicações ditas para-pneumônicas, como acúmulo de líquidos entre as membranas que revestem os pulmões (derrame pleural) ou a perda da pressão negativa que sustenta os pulmões na cavidade torácica (pneumotórax). Tais complicações podem ocasionar a falência súbita do sistema respiratório, cujas consequências são a parada cárdio-respiratória e, eventualmente, a morte.
O excesso de acúmulo ou déficit de eliminação catarral são os fatores preponderantes para o desenvolvimento das pneumonias. Por isso é que indivíduos dos extremos etários como crianças e idosos, portadores de AIDS, doenças cardíacas e neuro-degenerativas progressivas, câncer, diabetes, asma, problemas pulmonares ou aqueles imunodeprimidos estão mais susceptíveis a um pior prognóstico.
O fisioterapeuta domiciliar é disposto de arsenal terapêutico e conhecimento de técnicas que auxiliam enormemente na prevenção e tratamento dos desdobramentos acima descritos, evitando que um estado gripal persistente evolua para uma pneumonia. Para tanto, lança mão de manobras de higiene brônquica e reexpansão pulmonar (FIGURA 1), exercícios de padrão respiratório ou aparelhos de vibração intermitente intra-torácica (FIGURA 2) ou em casos mais extremos, do procedimento invasivo de aspiração traqueal (FIGURA 3), ajudando na eliminação facilitada das secreções pulmonares e traqueo-brônquicas que servem de substrato para a proliferação bacteriana.

FIGURA 1 - Manobra de vibrocompressão torácica associada à terapia de expansão pulmonar (© 2004 Hospital Monte Sinai).

FIGURA 2 - Utilização de aparelho de oscilação intra-torácica de alta frequência (© Fisioterapia Respiratória - UNESP).

FIGURA 3 - Aspiração traqueal (© Fisioterapia Respiratória - UNESP).
Tente não rir se seu fisioterapeuta domiciliar estiver parecendo o "pato Donald" quando lhe atender. Ele estará paramentado com um tipo de máscara de proteção nasal e oral chamada N95 (FIGURA 4), composta de 7 camadas que garantem proteção efetiva em situações de risco contra a SARS (Síndrome Respiratória Aguda Grave ou Pneumonia Asiática), esporos da tuberculose ou outros aerodispersóides, como também é o caso do vírus da gripe suína. Esse protetor facial é vulgarmente conhecido como máscara "bico-de-pato", mas pode encontrar-se confeccionada em outros formatos, sendo suficiente apenas que tenha a certificação N95. É bem mais cara que a convencional máscara cirúrgica. Enquanto essa última sai pelo preço de 50 centavos cada, aquela chega a custar R$ 10,00 a unidade. Todavia, as bicos-de-pato são as únicas que proveem segurança real contra a contaminação via gotículas respiratórias dispersas no ar, ao contrário das cirúrgicas que, para a gripe suína, só servem para os mais incautos e afobados aparecerem na TV e debalde acreditarem que assim possam reter vírus A/H1N1, esses microorganismos que medem ínfimos 80 a 120 nanômetros (milionésimos de milímetro) de diâmetro. Se você for suspeito ou convive com pessoas sob suspeição de terem contraído o vírus, portanto, vale a pena "pagar esse mico". Ou melhor, "pato".

FIGURA 4 - Máscara N95, para proteção contra microorganismos aerodispersóides (© DIBRAX, Comercial Ltda.).
Trocadilhos à parte, é claro que tais medidas não eximem o suspeito portador de um estado gripal persistente (acima de 48h) de consultar um infectologista, para que se estabeleçam condutas medicamentosas visando ao controle amplo dos sintomas, eventualmente com a utilização de antibioticoterapia específica para os casos que cursam com pneumonia. Porém, em tempos como o que vivemos, quando a humanidade inexoravelmente terá de se adaptar a essa nova variante viral, a prevenção de complicações poderá significar a diferença entre a recuperação ou não dos novos portadores que inevitavelmente surgirão.
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